A PAZ...

(Por Pe. Amauri Ferreira)


A paz não tem dia, mês, ano ou lugar,

não se comove com discursos ou reclama imponente brasão.

É paz que não se desvela num simples projeto,

no valor de um decreto ou na força de um jargão.

 

A paz não aceita fronteiras,

rejeita a triste coleira imposta pelo desejo de um só.

É paz que não se faz ouvir, nem se deixa emergir,

quando refém de quem a deseja transformada em pó.

 

A paz anda livre pelas ruas, pelos campos, cidades,

no encanto de encontros que germinam identidade.

É paz que acolhe diferenças e repudia sentenças

que conspiram contra o voo suave de sua irmã: liberdade.

 

A paz se faz sentir em pequeninos gestos,

de corações generosos, embevecidos de simplicidade.

É paz que inspira atitudes impregnadas de inocência

e padece com a indiferença de quem se deixa algemar pela vaidade.

 

A paz, companheira do diálogo, amante da dignidade,

é musa dos despojados, dos espíritos desarmados.

É paz que abomina acúmulo, condena a opulência,

rejeita a prepotência de nações que consolidam sua riqueza

à custa da pobreza de povos espoliados.

 

A paz conhece a justiça e confessa, enternecida,

que a tem como solo fecundo onde deita suas raízes.

É paz que repulsa tiranias, preconceitos, exclusões,

que sangram o coração indefeso, selado pelo medo, marcado por cicatrizes.

 

A paz repousa na humildade, se alimenta da igualdade,

sonha com tribunais vazios e se pergunta: se não há réus, pra quê juiz?

É paz que não concebe verdades cristalizadas, ideias não questionadas,

arrogância de quem se nega da vida ser aprendiz.

 

A paz quer um mundo criança, de meninos e meninas livres,

de homens e mulheres felizes, sem fome, sem miséria e a insanidade da guerra.

É paz que nos quer apenas convivendo e preservando, docemente contemplando,

a casa-comum de todos os seres paridos no útero da mãeTerra.

 

A paz também abraça a ternura,

sentimento que configura o sabor do ser em relação.

É paz que nos interpela quanto à vontade de conquistá-la

sem dia nem hora, sem decreto nem brasão,

mas na busca de uma consciência que nos liberte da demência,

dando sentido à existência, como partícipes de sua construção.


Pe. Amauri Ferreira.


 
 
 
  Site Map