Tempo de esperança

(Por: Pe. Amauri Ferreira)

Outubro? Tem cheiro de criança no ar! Posso sentir a algazarra de meninos e meninas com seus uniformes escolares invadindo praças e ruas, como se tivessem por tarefa esculpir o rosto da paz. Lambuzados de pirulitos ou de sorvetes, com saquinhos de pipocas que mal cabem em suas pequeninas mãos devoram-nas uma a uma, exceto as muitas que se caem e ficam espalhadas pelo chão. Por alguns instantes assumem o comando de tudo. Formam em torno de gramados e jardins a grande ciranda de um mundo onde a esperança e a vida ainda insistem em dizer sim.

Ao escrever estas linhas e entrevendo tal imagem, sou levado pelas asas da poesia de Tiago de Mello, que de maneira singular descreve: "na roda do mundo, mãos dadas aos homens, lá vai o menino rodando e cantando cantigas que façam o mundo mais manso, cantigas que façam a vida mais doce, cantigas que façam os homens mais crianças".

Sim, poeta maior! Homens e mulheres mais crianças. Seres que tenham a sábia coragem para descobrirem, no interior de seus corpos cansados e marcados pelas cicatrizes da existência, o vigor, a pureza e a beleza de uma alma menina. Quanta felicidade haveria se trocássemos a amargura por um punhado de alegria. Quão mais belos seriam homens e mulheres se resgatassem esse vigor infante e transformassem o jardim da existência humana, para que permanecesse sempre recoberto pelas cores, pelos tons e pelos sons ressurgidos na primavera.

Quem sabe seja possível ao ser humano libertar-se de tanta apatia, sob a inspiração de Francisco, que também em outubro tem celebrado o seu dia. O jovem que trocou a farda por vestes rudes, despojou-se de medalhas, riquezas e honrarias, rompendo com barreiras e preconceitos que em seu tempo existiam. Francisco, o pobrezinho; Francisco da pequena cidade de Assis; Francisco de todos os povos e culturas; Francisco de todos os tempos; Francisco dos que sofrem. Menino Francisco, Francisco menino que soube conversar e brincar com os pássaros, descobrindo e contemplando no dourado dos trigais a luz do irmão sol, chamando-o de irmão da lua. Francisco, criança pura, que soube amar e tocar nas flores com o mesmo amor com que deslizou suas mãos pelas frontes pobres e sofredoras, banhando suas feridas com o bálsamo de sua generosidade. Francisco solidário, alimentando bocas famintas e acalentando corações aflitos e desesperançados. Francisco-homem-menino que soube compreender toda a criação como família, o cosmos como sua casa e a morte como sua irmã; sonhando com o colo do Pai, abraçou a cruz do Filho com imensa doçura e descobriu um novo modo de ser em seu viver.

Com sua humildade singular, assumiu a missão de espalhar pelos campos da vida e nos corações humanos sementes de um amor repleto de ternura, tal qual a chuva que respinga a relva, devolvendo-lhe o verde, trazendo-a de volta à vida. Francisco, jovem de fé, que encontrou amparo nos braços da Virgem Santa, Nossa Senhora, para nós, Aparecida. Ela que também no mês de outubro é saudada como nossa Mãe querida.

Outubro, mês dedicado às missões, nos interpela quanto à urgência de sairmos ao encontro de irmãos, para que o anúncio da Boa-Nova alcance e revigore outros corações. Tempo de refletirmos também, a exemplo do “pobrezinho de Assis”, sobre a necessidade de cuidarmos do planeta e consequentemente de todas as criaturas que nele existem, semelhantes ou não. Amando e preservando a Criação; vivendo como crianças a esperança de um mundo novo; combatendo a ferrugem do egoísmo e a tirania que ameaçam corroer as estruturas do planeta e os valores que devem conduzir a pessoa humana à plena comunhão com a grande obra do Criador. Que nossas mãos se encontrem e formem, como pétalas de uma flor, a proteção do pólen que no centro dela se guarda, para que as sementes germinem e a vida se perpetue. Com a ajuda e a intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, peçamos à Família Trinitária que abençoe e proteja toda a família humana e, de maneira especial, dirija seu olhar misericordioso sobre o nosso Brasil a ela consagrado.


Padre Amauri Ferreira.

Paróquia Imaculada Conceição de Guararapes
Diocese de Araçatuba/SP
 
 

"Olá Padre Amauri, bom te reencontrar e ler esta linda mensagem... Continue com este lindo trabalho e que Deus lhe ilumine sempre" - José Carlos de Sa - Yakumo/Japão

"Poesia e realidade, uma mistura que só pessoas de almas puras e boas, como vc, meu amigo padre Amauri, podem fazer!! Como sempre, fã de seus textos, seu pastoreio, e, sobretudo, suas atitudes. Fique com DEUS!" - Alessandra (Bê) Camargo

"A criança, mesmo diante de tanta tecnologia que a leva a ficar somente em contato com 'botões', ainda quer brincar de bola, comer guloseimas, se sujar de barro, soltar pipa. É uma pena que muitos adultos não consiguem enxergar que seus filhos querem apenas ser criança" - Lucia Almeida Teixeira

"Parabéns Padre Amauri por este lindo artigo, não tenho palavras para expressar as lindas imagens que surgiram na minha mente quando lia cada parágrafo deste texto, inspiração para a nossa vida, ao lembrar das crianças, para nosso ser quando falamos de Maria e de Francisco e para nosso viver quando falamos de missão. Um grande abraço". Janaina T. Salmazo Hernandes

"Pe. Amauri! Lindo artigo!!!Hoje voltei meus tempos em sala de aula e revi os rostinhos de tantos aluninhos comendo pipoca, chupando picolé, se lambuzando com bolo recheado de goiabada...que gostosa!!!Juro que saudade bateu(e como bateu). Que seu artigo sirva para acordarmos para as cisas da vida. Que outubro possa ser o grande momento de encontros com tantos nossos irmãos que se encontram um tanto distantes de nós.Como diz meu amigo Tonho: "Quem sabe faz a hora..." A nossa é agora..Que Deus lhe ilumine sempre! Grande abraço!!!" - Cleuza S. Braga

"Simplesmente lindo... Parabéns padre vc tráz a paz aos nossos coraçoes" - Neuza Marini

"Pe Amauri, o sr como sempre nos encantando com seus artigos de muita sabedoria. Continua nos deleitando com tanta sensibilidade,nós o admiramos muito, e nos orgulhamos por tê-lo como nosso pastor e por isso damos graças ao Pai por isso" - Maria Helena e Cristina Grosso

"Parabéns padre Amauri suas mensagens são reflexões para nossa vidas,que DEUS te abençoe sempre.." - Valdirene

"Este belo artigo nos leva a refletir e lembrar que as crianças são, ao mesmo tempo, receptoras e transmissoras do grande amor de Deus, o que aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de fazer com que a Igreja perceba a criança no seu meio e garanta as condições para o seu pleno desenvolvimento. Assim como São Francisco de Assis e Nossa Senhora Aparecida, tenhamos a pureza, a inocência e amor gratuito que delas emana. Tenhamos a responsabilidade e o comprometimento dos adultos, mas sem abri mão, jamais, da candura das crianças" - Dora Leila Henrique

"Pe. Amauri, que possamos sempre ter no site artigos como esse, que nos emociona e nos ensina sempre que a esperança sempre existe... A exemplo de São Francisco de Assis, que nossas palavras se transformem em atitudes por um mundo melhor, mais digno em prol aos nossos irmãos e ao Planeta Terra, que é a casa de todos nós! Abraços" - Alexandre Izaías Rodrigues

"Já li e mais uma vez parabéns padre Amauri por mais esse artigo que só nos enriquece" - Maria Luiza Orpinelli - via facebook

"Pe.Amauri, parabéns pelo artigo Tempo de Esperança, muito lindo e faz a gente refletir nossa caminhada. Você, como sempre, é nota 10. Um abraço" - Leila Kraiker

"Faz bem à alma ler o que o senhor escreve.Amo muito tudo isso e sinto saudades dos alunos,crianças abençoadas que fizeram parte da minha história de vida.Muita inspiração sempre padre Amauri" - Evanir Anselmo

"Oi Amauri, que texto lindo! Levá-nos a uma reflexão profunda. Fiquei muito emocionada" - Eliete de Souza - Petrópolis/RJ

"Padre Amauri, admiro seu trabalho! Mês de outubro, com datas especiais e festivas, o Senhor consegue unir todas as informações e transmitir, sabiamente, toda elas para os leitores. Faz com que lembremos e reflitamos o nosso tempo de criança, das nossas responsabilidades sóciais e religiosas de hoje, e com aqueles que muitas vezes estão à nossa volta precisando do nosso chamado, do nosso convite. Ao ler seu artigo me vem aquela fala que geralmente escutamos e falamos: 'quando criança era feliz e não sabia. Adoro seus artigos e reflito sempre, e preciso agir mais'. Grande abraço". - Ana Claudia


 

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