Solidariedade, sempre!

(Por Pe. Amauri Ferreira)

Os trágicos acontecimentos que levaram à morte centenas de irmãos e deixaram outros milhares ao relento na região Sudeste, especialmente nas cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, provocaram uma profunda comoção em todo o país. Sabemos, também, que, em menor escala, fortes chuvas ceifaram vidas e levaram ao desabrigo brasileiros dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais. Cenas de sofrimento e dor continuam sendo amplamente exibidas pela mídia. Inúmeras pessoas que, por dias, ficaram completamente isoladas, sem água potável, sem alimento, com suas casas inteiramente destruídas, algumas feridas, desesperadas, aguardando por equipes de socorro.

Muitos choraram sobre os escombros a perda de entes queridos que, aos poucos, foram sendo localizados, identificados e sepultados. Outros continuam soterrados, apesar de todos os esforços empreendidos pela Defesa Civil, policiais militares e populares, nos incontáveis desmoronamentos que chegaram a mudar a própria geografia do local.

A disponibilidade e a bravura de uma legião de voluntários, que se dirigiram aos pontos mais atingidos, despertaram a consciência e tocaram fundo no coração de toda a nação. Em poucas horas, ao lado dos organismos oficiais que foram acionados para prestar assistência à população, uma grande estrutura foi, às pressas, montada para atender às vítimas de uma catástrofe sem precedentes. Além das ações governamentais, pessoas, grupos e organizações iniciaram campanhas de aquisição de suprimentos para abastecer uma quantidade significativa de abrigos improvisados para acolher aqueles que chegavam, na maioria das vezes, carregando consigo apenas o desalento e a roupa encharcada no corpo. Postos de arrecadação espalhados pelo país inteiro, desde o primeiro momento, foram criados para a doação de alimentos, roupas, calçados, materiais de higiene, água, remédios, brinquedos etc. Outras instituições, dentre elas a Igreja do Brasil, por meio da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –, vêm, a todo o momento, divulgando números de contas bancárias para receber o depósito de valores que serão integralmente utilizados para minimizar o sofrimento daqueles que perderam suas casas e todos os seus pertences.

Não devemos, nem podemos, perder de vista que essa tragédia de proporções gigantescas poderia ser evitada ou, pelo menos, reduzida em seus efeitos, não fosse o descaso e a incompetência de sucessivos governos que nada fizeram para impedir a ocupação irregular do solo – afrontando a natureza - e a total ausência de políticas públicas, verdadeiramente, preocupadas com a segurança e o bem-estar dos cidadãos, sobretudo, das camadas mais empobrecidas da população.

No entanto, a urgência no atendimento aos desabrigados nos leva a substituir, momentaneamente, a apuração das responsabilidades sobre as causas e consequências de tanta destruição e de centenas de vidas ceifadas prematuramente. É momento de fortalecer o poder da solidariedade que o próprio ser humano descobre em si como instrumento capaz de superar e vencer os desastres que, na maioria das vezes, ele mesmo gera.

Como cristãos chamados a ser agentes da esperança e promotores da vida, acreditamos piamente no triunfo da solidariedade. Sua força é irresistível e, com toda certeza, possui como combustível imprescindível as bênçãos dos céus. Quando a exercitamos, estamos, na verdade, experienciando a partilha do que somos e temos. Tornamo-nos menos vulneráveis ao individualismo e à indiferença que expressam o egoísmo de quem só deseja o que há de melhor para si e para os seus; sentimo-nos mais generosos e compassivos e, também conscientes, em meio ao pranto e à dor, de que precisamos permanecer unidos a esses irmãos e irmãs que perderam tudo aquilo que tinham, especialmente seus entes queridos. Precisamos estar em comunhão com aqueles que, além de todos os terríveis acontecimentos pelos quais passaram, permanecerão, por um bom tempo, vivendo em condições precárias, tendo sobre os seus ombros a árdua tarefa de reconstruir, apesar de tudo, as suas cidades.

Na última segunda-feira, recebi um e-mail de meu irmão Sérgio, que reside em Nova Friburgo/RJ com sua esposa Monique, e dois filhos ainda bem pequenos, Luís Henrique e Luís Vinícius. O texto, embora resumido, traduz o sentimento de um povo perplexo e mergulhado num pranto que parece não ter fim; povo sofrido que conta seus mortos e busca incessantemente pelos seus que, vivos ou não, fazem parte da imensa lista dos desaparecidos; povo, também, valente e determinado que acredita na força da união como único instrumento capaz de, ao lado da sua inabalável fé em Deus, promover o seu soerguimento, com a participação efetiva de todos nós. Para finalizar, compartilho com vocês o conteúdo de suas palavras: “Aqui em Nova Friburgo o clima é de consternação. As vítimas fatais das chuvas totalizam, hoje, 394, entre as mais de 800 vitimadas na região serrana do Rio. Isto significa que 1 em cada 500 habitantes da cidade pereceu. Contam-se ainda mais de 100 pessoas desaparecidas e milhares de desabrigados. Para além desta terrível estatística, vemos, ao caminhar nas ruas, muitas pessoas chorando, outras com o olhar perdido, caminhando a esmo. Não há quem não tenha um membro da família ou ao menos um amigo vitimado. Passado o primeiro momento, a população enfrenta agora o desabastecimento, as doenças provocadas pelo contato com as águas contaminadas e, por fim, a ameaça de desemprego, já que muitas empresas foram inteiramente destruídas pelas chuvas. O momento agora é de fé, solidariedade e união. Precisaremos de muita força e determinação para reconstruir nossa cidade e amparar aqueles que perderam o pouco que tinham. Toda ajuda será bem-vinda! - Nova Friburgo/RJ, 24 de janeiro de 2011. Sérgio Luiz Ferreira.”.

Pe. Amauri Ferreira.

 

 

"Maravilhoso texto!!! Realmente a hora é agora. Li, reli várias vezes, podendo assim sentir na pele o sofrimento de tantos nossos irmãos vitimados pelas tragédias. Precisamos ter consciência do que fazemos e pensamos, como Pe. Amauri diz no texto "SOMOS CHAMADOS A SER AGENTES DA ESPERANÇA E PROMOTORES DA VIDA." Precisamos fazer voltar a esperança em tantos rostinhos que a perderam. Precisamos aprender a lidar com a solidariedade sempre...Tomara que nós cristãos tenhamos exercitado noassa solidariedade na coleta da missa de domingo passado, aliás, que HOMILÍA ! Esse texto e a homília a que me referi foi a grande fonte de reflexão e comprensão para entendermos o verdadeiro sentido da SOLIDARIEDADE. Parabéns!!!" Abraços..Cleuza S. Braga

"Pe. Amauri, sou brasileiro, mas moro em Portugal e sempre que posso, acompanho o "Santo" site da Diocese Araçatuba e seus artigos também. Gostaria de parabenizá-lo pela belíssima matéria sobre as vítimas das enchentes do Brasil. Nós brasileiros que moramos no exterior quando ouvimos uma notícia de nosso país sempre ficamos com o coração palpitante, mas quando esta notícia é triste, sofremos em dobro. Quando recebi o e-mail da Assessoria de Comunicação da Diocese e li o artigo me transportei para a luta em ajudar as vítimas ai no nosso amado brasil. Parabéns pela sua sensibilidade e amor ao próximo" - Rodrigo Solto - Portugal

"Pe, infelizmente as pessoas se esquecem logo de tragédias assim, que ficam apenas marcadas a ferro no coração das vítimas e seus familiares, isso nos deixa deveras entristecidos, porque apesar do povo se solidarizar, em seguida quando acontece outra tragédia as atenções são voltadas para outro foco e tudo fica esquecido. E os verdadeiros responsáveis por esses acontecimentos que são os governantes, respiram aliviados por não haver mais cobranças, até que venha uma nova catástrofe e que percamos mais brasileiros, mais crianças e voltemos a nos importar cobrando deles. É necessário que todo cidadão brasileiro se desinstale, e comece a cobrar com veemência e autoridade aos responsáveis por esses acontecimentos". Maria Helena e Cristina

"É lamentável ver que toda esta tragédia está mesmo acontecendoe e causando inocentes vítimas como crianças, adultos e idosos. É mais lamentável, ainda, ligar a Tv e, logo cedo, já dar de cara com um novo desastre. Pais que perdem filhos, esposas que perdem seus maridos, pesssoas que perdem suas casas... Vítimas que dão graças a Deus por terem uma chance de recomeçar sua vida, isso é realmete para comover o ser humano. Todos nós temos uma parcela de culpa, essas catastrofes não aconteceram por nada...A culpa é do ser humano e a única forma de nos redimir por isso agora é ajudando essas inocentes vítimas" - Bruno Henrique Leal dos Santos.

"Basta de ficarmos nos lamentando, procurando culpados para essa tragédia histórica. O momento é de nos solidarizarmos e como uma grande corrente unirmos elos e socorrermos irmãos nossos ,que embora não conhecendo seus rostos, conhecemos a dor de tds. Somos tds filhos do mesmo Pai e por isso nesse domingo dia 30, abramos nossos corações, doando aquilo que nos for possível, nem que seja a moeda da viúva, de valor tão pequeno, mas repleta de amor... façamos a nossa parte, não sejamos "cristãos de arquibancada", arregacemos as mangas e desçamos ao campo para jogarmos todos juntos e sairmos vitoriosos,para glória de nossso Deus e bem estar de muitos irmãos. É NESTE DOMINGO HEIN, AVISEM A TDS E COLABOREMOS!!!!!!" - Ângela Martinho


"Em meio a esta tragédia que ceifou a vida de muitas pessoas, podemos perceber que os cidadãos, voluntários brasileiros, podem ser comparados "ao beija flor que, com o bico cheio d'água, tentava apagar o fogo da floresta", mostrando que a solidariedade, mesmo pequena, pode dar resultados. O mesmo pode acontecer com a ajuda de cada um que ja contribuiu ou podera contribuiur com essas pessoas que, agora, como nunca, precisam de nossa ajuda. Os governos, podem ser comparados, voltando à história do beija flor, "com os animais que só ficaram olhando sua floresta pegar fogo e nada fizeram”; como os governos que durante várias décadas vêem todos dos anos os mesmos acontecimentos, cada vez com proporções maiores, e não fazem nada" - Rodrigo César Lopes

"Se cada vez que acontecesse essas tragicas histórias, dentro de nós houvesse um coração que tem força pra lutar contra a hipocrisia desse nosso governo e lutar para ajudar essas pessoas a se recuperar do acontecido, viveriamos hoje a Paz que o Senhor sempre propõe!" - Jéssica Maria

"É extremamente triste a situação em que se emcontram as pessoas vítimas da terrível tragédia ocorrida no RJ, SP e Minas.Por isso, é muito importante a nossa solidariedade direcionada a essas pessoas que tiveram vidas de seus familiares ceifadas por essa TRAGÉDIA. Olhares perdidos, lágrimas constantes,sofrimento que parece'não ter fim'.A todos eles,deixemos de lado o 'nosso' individualismo,para que nossa solidariedade possa fazer a diferença e alimentar, ainda que mínimo,a esperança nos corações de todos eles". Glaucia Susana Teixeira

"Infelizmente, a ganância dos "poderosos" prevaleceu mais uma vez,deixando marcas profundas de dor e tristeza em todo o povo BRASILEIRO, principalmente naqueles que estão vivenciando a tragédia na pele, onde a natureza respondeu à altura dos desleixo daqueles que têm o "poder nas mãos",que,enquanto viviam (e vivem) no seu "mundinho de faz de conta",muitos irmãos perdiam sua própria identidade perante o mundo.Nesse momento,nos resta a dignidade de um povo solidário cheios de esperanças com aqueles que lutam para voltarem às suas vidas...ou ao que sobrou de".Irmãos,Amigos e Companheiros de Caminhada, diante disso,aqui fica uma pergunta: SOMOS VÍTIMAS??? OU SOMOS MAIS "UM" TELESPECTADOR??? QUE DEUS ABENÇOE A TODOS." Soninha Machado

"Enquanto os políticos (QUE NÓS ELEGEMOS) continuarem apenas fazendo discursos, e nós permanecermos inertes, de braços cruzados, achando que ser cidadão é somente votar, situações como essa continuarão acontecendo e muitas outras vítimas pagarão o preção da nossa omissão". Tonho

"É de extrema significância a mensagem deixada pelo Pe Amaury nesse texto, pois leva o leitor, independente de religião ou crença, refletir sobre os valores que cultivamos na Terra, bem como a conscientização social e política de cada indivíduo como cidadão" Isleide Cristina Sicarelli de Oliveira

"É triste , o mais é triste é saber que por mais que comova o coração do Brasil com essas tragedias , é que enquanto tudo isso acontece tem jogadores querendo leiloar camisa para aumentar sua conta no banco! Porem Petkovic, carregou um caminhão e levou pessoalmente as vítimas das tragédias do Rio, pensou se todos se colocasse um terço dessa bondade! Enquanto tem crianças la desamparadas, passando fome, e desabrigadas tem gente gastanto seu lindo dinheirinho com ligações para eliminar alguem do BBB11 ao inves de converter esse valor , doando para as pessoas que perderam tudo. Hipocrisia deveria ser crime, talvez assim algumas pessoas mudassem. Que país é esse? (Compaixão meu Deus)" - Maiara Staut

“A capa de uma revista de circulação nacional trouxe, há algumas semanas, a foto de muitas covas abertas, esperando os corpos, que também são muitos. Tudo se transformando em estatística, números, recordes. Este já é considerado o  maior desastre natural de todos os tempos, no Brasil. E já se fala de quebra de recorde no início do ano que vem. Que não esqueçamos de cada um dos irmãos que perderam suas vidas neste janeiro, de cada um dos irmãos que sobreviveram para encarar a vida somente com a roupa do corpo, e o coração cheio de dor e esperança. Que não nos falte a solidariedade, o verdadeiro amor ao próximo" - Eduardo de Souza Quintana


 

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