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Créditos:
Locução: Tony Luís Mazzuco Simões - Diretor da Rádio Difusora de Guararapes - RDG
Música: Theme From Antarctica - Vangelis - CD: Antarctica - Universal Music.


Mudando de atitude

(Por Pe. Amauri Ferreira)

Você chegou a afirmar que seria humanamente impossível participar da confraternização na casa de seu irmão para celebrar o Natal. Disse, ainda, que seria um ato de hipocrisia abraçar e ser abraçado por algumas pessoas da família que lhe fizeram tanto mal. Admitiu, também, que sua participação na ceia, tão desejada, sobretudo por sua velha mãe, poderia azedar ainda mais as relações já comprometidas ao longo do tempo. Tentando deixar claro suas razões, afirmou: “não vou tolerar piadinhas, indiretas e olhares atravessados; muito menos o cinismo de discursos improvisados, para exaltar uma paz que não vivemos e forjar uma fraternidade que jamais experimentamos. Não!... Se alguém lá de casa quiser ir, que vá sozinho. Prefiro ficar só a acumular mais um aborrecimento!...”

Não sei muito bem o que lhe fez mudar de ideia. Imagino que tal mudança se deu, quem sabe, pelo fato de saber que sua mãe ficaria magoada ao perceber que, mais uma vez, não conseguiria reunir sua família num dia tão especial. O fato é que, mudando sua postura, se fez presente e, ao chegar, dela você recebeu o primeiro e mais caloroso abraço. No seu rosto você encontrou a própria imagem da felicidade. No olhar de seus irmãos, suas cunhadas, cunhados, e até mesmo nas crianças, era impossível não perceber uma expressão de surpresa e, ao mesmo tempo, de incontida alegria. Afinal, há muitos anos, desde os tempos em que seu pai ainda era vivo, que a família não vivia um momento em que todos, sem exceção, estivessem juntos. Eu sei que, a princípio, não foi muito fácil pra você encarar essa situação com naturalidade. Ressentimentos armazenados há tanto tempo não se diluem num estalar de dedos. Situações mal resolvidas provocam cicatrizes que não desaparecem com tanta facilidade. A reconciliação se dá através de um processo contínuo, que dispensa palavras vazias e gestos aparentes, exigindo a presença da verdade para construir o seu alicerce. Quem sabe o Espírito que pairava sobre aquele santo dia não produziu o milagre de fazer com que todos, ao mesmo tempo, percebessem que, naquele momento, estava sendo dado um primeiro passo, talvez, o mais importante... Aliás, quando todos resolvem sair ao encontro do outro, as distâncias são significativamente reduzidas! E foi isso o que de fato aconteceu! Todos, por incrível que pareça, estavam ‘desarmados’ e, com toda certeza, iluminados por aquEle que inspirou as pessoas que participaram daquela celebração. Na verdade, o Menino não foi muito lembrado, nem seu nome tantas vezes pronunciado, mas era impossível não sentir a força de sua presença. A partir daquele dia, algo diferente fez com que você começasse a demolir, dentro de si mesmo, verdades que foram aos poucos sendo cristalizadas; juízos precipitados que acabaram consolidando sua aversão por pessoas tão próximas; circunstâncias que o afastaram de tantos sem qualquer diálogo esclarecedor, que pudesse trazer à tona uma quantidade enorme de mal-entendidos e que foram tomados como uma afronta à sua pessoa.

Desde então, repensando sua vida e refletindo sobre a deteriorização de suas relações com a família, uma súbita relativização dos fatos passados fez com que você fizesse aquela experiência sugerida por Jesus: “tire, primeiro, a trave do seu olho, e então você enxergará bem para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mt 7,5). Mesmo não dando ‘o braço a torcer’, a partir de então, você começou a perceber mais claramente que, se de alguma forma, todos erraram, a você cabia uma parcela de responsabilidade nos muitos erros que também cometeu. Talvez, o maior deles tenha sido o seu fechamento, que o tornou impiedoso, ao não enxergar que, apesar das agressões mútuas provocadas pela intolerância e o uso inadequado das palavras, todos lhe queriam muito bem. Você esteve, durante todo esse tempo, brigando consigo mesmo e, não sei se por teimosia ou por orgulho, se deixou embriagar pelo medo de não ser aceito ou mesmo de não suportar ‘picuinhas’ que, há muito, haviam abandonado a todos, passando a habitar somente seu coração.

De qualquer modo, foi louvável a sua atitude. Você não foi a primeira pessoa e, nem será a última, que se deixou escravizar por ideias pré-concebidas e conclusões precipitadas sobre aqueles que vivem à sua volta. O importante agora é não frustrar a possibilidade de recuperar o tempo perdido e se deixar guiar pela estrela que aponta para a reconciliação. Você estará, não apenas, fazendo um bem enorme a todos, mas sendo grato ao Aniversariante daquele dia. Aliás, não apenas daquele dia, porque cabe a você consentir que Ele nasça e renasça sempre que houver da sua parte a disposição de ser melhor, de pensar maior e de dar uma chance a si mesmo, permitindo que a vida lhe ensine a esculpir, mesmo nos corações mais petrificados, a pura e bela imagem do amor.

Estamos, ainda, nos primeiros dias do Novo Ano. Não podemos e não devemos atribuir somente a Deus as expectativas que, no seu decorrer, esperamos ver realizadas; ele será, também, fruto da nossa determinação na busca de dias melhores para nós e para todos. Faça o propósito de vivê-lo intensamente. Sinta-o não como mais um ano, mas, sim, como um tempo privilegiado para que sua vida adquira um novo sentido. Não pense em ser feliz sozinho. Basta o tempo que você perdeu, assumindo uma postura que quase o tornou um náufrago solitário. Aprenda a aceitar os outros como são se deseja ser aceito, com seus erros e acertos, por todos aqueles que caminham ao seu lado. Sinta em cada ação reconciliadora que gestar a enorme alegria de, através dele, fazer sorrir os céus e revelar a força arrebatadora do amor misericordioso de Deus. .

Pe. Amauri Ferreira.



Créditos:
Locução: Tony Luís Mazzuco Simões -
Diretor da Rádio Difusora de Guararapes - RDG
Música: Theme From Antarctica - Vangelis - CD: Antarctica - Universal Music.


 


“Com o coração cheio de gratidão, acolhi como um presente de Deus, a locução do singelo texto que foi potencializado pela generosidade de um grande radialista e de um grande amigo que emprestou sua belíssima voz para valorizar o artigo que acabamos de ouvir: Antônio Luis Mazuco Simões – Tony Luis”. Pe. Amauri Ferreira.

"Adorei o texto,muito bom para nós refletirmos e pensar sobre o quanto é bom viver em paz com a família" - Felipe Stringhetta

"Padre Amauri este texto e para nós pararmos e refletirmos como muitas pessoas querem aparecer. Ficam cuidando da vida uma das outras mas nenhuma delas sabe que está fazendo o mau na sua família que também está com problemas não a do vizinho nao da vizinha. Sugiro que ao invés de desperdiçar o tempo com fofocas que pegue o texto e reflita sera que só a vida do seu vizinho está assim, a sua não está?. Padre Amauri adimiro muito o senhor" - Otávio Frazato Murada de Sousa

"Maravilhosa mensagem. Tudo que é escrito pelo Padre Amauri não poderia ser diferente. Tocou muitos corações! Neide Galhardo

"O texto que já era lindo, ficou maravilhoso! Parabéns Pe Amauri e Tony" Janaina Hernandes

"Padre Amauri parabéns. Parabéns mesmo pelo texto lido, o senhor foi muito feliz na escolha, as vezes passamos anos de nossas vidas amargando um mal entendido e não temos a coragem de dar o primeiro passo em busca da reconciliação. Devemos realmente tirar trave do nossos olhos primeiro antes de julgar os outros ainda mais quando o outro mora dentro da nossa casa...um abraço, fica com DEUS!" Maria Luiza Orpinelli

"Parabéns pela linda mensagem Pe. Amauri. Admiro muito sua incrivel maneira de se expressar. Esta mensagem com certeza abrirá muitos corações neste ano!" - Jéssica Maria

"Pe. Amauri parabéns pela mensagem. Ela escrita já estava linda agora com esta narração na voz de Tony Simões ganhou muita beleza e grandeza. Parabéns!" Cleberton de Oliveira

"Achei este texto ótimo, pois acho que todos nós fazemos parte de uma família, nos deparamos com nossos corações petrificados,porém se foi plantado o amor de Deus em nossa infância não conseguimos ficar com rancor por muito tempo, é no berço que já deve ser mostrado como é bom amar e perdoar" - Lucinha

"Amauri e Tony esse texto tem o poder de desarmar os corações petrificados!" Altair Pereira Neves"


 

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