Felicidade interna bruta

(Por: Pastoral Familiar da Paróquia Imaculada Conceição de Guararapes)

Há alguns dias, foi publicado um artigo falando sobre um País do qual nem sabíamos da existência. Vocês já ouviram falar em Butão? Eta nomezinho estranho! Imaginem que um pequeno País, lá pelos lados do Himalaia, de religião budista, possa nos dar uma tão bela lição de vida e cidadania.

O Butão é um País muito especial e diferente dos seus vizinhos. Enquanto nesses outros, de beleza paradisíaca como ele, existem guerras, disputas de terra e brigas por questões religiosas, lá reina a paz e a felicidade. Seu povo é pouco consumista e muito religioso. O país é governado por um rei, que ao tomar posse, anunciou aos seus súditos que basearia seu governo em um tripé: Justiça, Igualdade e Boa Governança. Também garantiu que a sua prioridade seria ver sua gente feliz. Por lá, quase tão poderoso como o rei, o chefe religioso exerce sobre o povo uma enorme influência. Ele é nomeado pelo monarca e muito respeitado.

Os butaneses são ordeiros e muito simpáticos. Sua cultura tem algo de ‘mágico’, voltada para o bem estar coletivo. A pobreza excessiva não existe, nem grande disparidade social. Não existem tensões sociais, nem guerras. Essas informações são uma grata surpresa para todos nós, ocidentais, cuja cultura, ‘adiantada’, não consegue segurar o estresse e a desmedida ambição das pessoas, que, em geral, enfatiza mais o ter do que o ser. O povo do Butão, sensível às questões ambientais, nos dá “um banho” de civilidade e amor à natureza.

Quando o atual rei assumiu o trono, questionado por outros países sobre a morosidade dos avanços tecnológicos e sobre os bens materiais considerados tão necessários e ambicionados pelas demais civilizações, foi enfático e muito objetivo em sua resposta: “Não estamos preocupados com o PIB (Produto Interno Bruto), porque nossa meta é alcançar o FIB – ‘Felicidade Interna Bruta’. Meu governo vai se basear nessa busca. Quero que meu povo seja feliz e viva com igualdade, despreocupação e segurança”.

O Butão faz suas trocas comerciais, principalmente com a Índia, país próximo e amigo. É um país de poucos recursos, mas que se preocupa em primeiro lugar com a educação e saúde de seus cidadãos. É um dos últimos países budistas do Himalaia. Lá não existem crimes e roubos, as pessoas se respeitam. A religião exerce uma força muito grande sobre seu povo. Todas as práticas sociais, esportivas e de lazer têm um cunho religioso muito arraigado na alma desse povo temente e obediente a Deus e às leis.

Poderíamos continuar a falar horas sobre esse País, que parece tão delicioso e simpático. Mas esse não é nosso objetivo. Queríamos, sim, enfatizar o seu estilo de vida, e nisso deveria ser imitado pelas demais nações do mundo dito ‘civilizado’.

Gostaríamos de chamar a atenção principalmente sobre a corrida desenfreada que rege a nossa vida em busca do acumular cada vez mais, em detrimento das relações familiares e dos laços afetivos, tão importantes na formação do caráter e personalidade de nossas crianças. Como seria diferente se colocássemos no coração de nossos filhos a importância de Deus? Se a religião fosse como um guia e um norte para todos os homens e mulheres... Quanta violência e quanta desgraça poderíamos evitar!

Gostaríamos muito que nossas famílias repensassem seu estilo de vida, que houvesse mais diálogo entre pais e filhos, e mais respeito pelos mais velhos. Que as crianças conhecessem no colo a força do amor verdadeiro entre seus pais e destes para com elas. A família que vive e procura demonstrar esse amor, uns para com os outros, pode ter a certeza que isso é “meio caminho andado” para salvar os filhos das más influências, de se perderem nas drogas em busca de preencher o grande vazio, que é a tônica que impera na juventude de hoje.

Muitas mães precisam fazer jornada tripla de trabalho, muitas vezes sobrando um ínfimo tempo para dedicarem aos filhos, o que os tornam inseguros, carentes e infelizes.

O nosso sistema educacional também deixa a desejar. Se pelo menos as relações entre professores e alunos fossem boas, poderíamos esperar alguma mudança nesse sentido. Mas, ao contrário, o que vemos são jovens que não respeitam seus mestres, chegando até a agredi-los, e professores correndo de uma escola para outra, trabalhando até a exaustão, para darem conta das despesas de sua própria casa.

Nossa vida é uma roda viva de interesses e de inúmeros afazeres; pouco tempo sobra para o principal, que são as relações familiares e amigos. Não temos mais tempo e nem disposição para o bate-papo informal, para trocarmos ideias, para estreitarmos laços afetivos com quem quer que seja. Vivemos numa grande corrida contra o tempo. Estamos sempre atrasados para intermináveis compromissos que nos roubam a melhor parte, a convivência com pessoas queridas, que são tão importantes em nossa vida, e que só nos damos conta disso depois que as perdemos.

O amanhecer de cada novo dia é tempo oportuno para colocarmos como meta em nossa vida a simplicidade, a afetividade, a qualidade de nossas escolhas, e a valorização de nosso tempo com coisas que realmente nos elevem e nos façam felizes.

Coloquemos também como prioridade nossa relação com o transcendente, porque somente um povo voltado às coisas do alto pode ter a sensibilidade de perceber o que vale mais à pena. Se tivermos Deus como centro de nossa vida, o resto virá por acréscimo, pois Ele nos indicará o melhor caminho.

Façamos nós, também, como os butaneses, a opção pelo “FIB” (felicidade interna bruta), e desfrutemos as delícias do céu aqui e agora. Ou será que temos que nos mudar para o Butão para encontrarmos a tão sonhada felicidade?

Pastoral Familiar da Paróquia Imaculada Conceição de Guararapes/SP

 
 

"Lindo artigo, ótimo para se deitar sobre ele e refletir profundamente sobre onde foram para os valores, a união familiar, o calor dos laços familiares e até do matrimônio. Parabéns, que Deus lhes iluminem ainda mais, para que voces possam estar nos transmitindo essa luz em forma de artigos, projetos, ações, enfim, em forma de todo esse trabalho lindo que está sendo realizado e que vai crescer cada vez mais!" - Cesár Augusto

"Muito bom! Obrigada por nos fazer refletir sobre os sentimentos mais nobres e que nos tornam muito mais felizes! Que Deus ilumine a todos vocês!" - Ivone Oliveira

"Muito bom artigo. Ótima para reflexão. Que Deus nos ilumine" - Eduardo de Souza Quintana

"Lindo texto!!! Adorei!!! Realmente seria um paraíso transformarmos nossa situação vivida, sofrida,  etc ´por uma realidade BUTANESES. Vale muito refletirmos esse artigo, e por que não começarmos a agir dentro de nossas casas? Um grande abraço a toda pastoral" - Cleuza S. Braga.

 

 
 
  Site Map