A afetividade como princípio formativo das famílias

(Por Pastoral Familiar)

Nós, aqui no Brasil, trazemos ainda arraigada em nossa sociedade, o ranço da colonização européia, que se constituía em um regime rígido patriarcal. Com o passar dos anos, a sociedade passou por inúmeras e grandes transformações, inclusive nas relações familiares.

No âmbito da legislação, um dos divisores de águas se deu com a mudança da Constituição Federal de 1988, que, dentre outras, afirmou a igualdade entre os cônjuges; garantiu a liberdade, igualdade de direitos entre a mulher e o homem, inclusive o de trabalhar fora do lar, a liberdade de votar livremente, sem coação nem mesmo do marido... Essas foram algumas das principais conquistas das mulheres em uma sociedade até então machista.

A mudança radical nas famílias abrandou as relações entre seus membros, perdendo a rigidez patriarcal, onde nem esposa e nem filhos tinham voz e vez. Surgiu daí um novo modelo de família baseado na afetividade e no diálogo. Os sentimentos se apuraram, valorizando-se a reciprocidade de afeto, que se traduz no respeito de cada um por si mesmo e por todos os membros da família. A Constituição Federal se preocupou em garantir a proteção à família, seja ela formada dentro do matrimônio ou oriunda de uma união estável, porque se chegou à conclusão de que toda espécie de composição familiar é face de uma mesma realidade e têm os mesmos direitos garantidos, tendo-se em vista a mudança dos núcleos familiares.

Não há como negar que a nova tendência da família moderna é a sua composição baseada na afetividade. Sabemos que, apesar da disposição das leis, estas não podem criar ou impor a afetividade como regra, pois ela tem que surgir naturalmente pela convivência e reciprocidade de sentimentos.

A família que se estrutura no respeito, cooperação, cuidados, amizade, carinho, afinidade, afeição e interesse de uns para com os outros, automaticamente irá desenvolver uma afetividade sadia e benéfica.

É inegável que, via de regra, encontra-se afeto presente nas relações familiares tradicionais, entre os cônjuges e entre pais e filhos, não só pelo vínculo sanguíneo, mas pelo amor e carinho entre todos. Por esse motivo a adoção entra em igualdade de amor, pois os vínculos são muito mais pela convivência do que pelo sangue.

Por isso hoje em dia cria-se um vínculo do filho, mesmo sem o parentesco carnal que dá direito ao adotado igual ao dos filhos consanguíneos, pois foram assumidos na íntegra, com direitos e deveres da paternidade responsável. Por esse motivo surgiu a expressão tão usada: “pai é aquele que cria”. Essa doutrina é que passa a ter força nos tribunais judiciais. Portanto, a criação afetiva se impõe à filiação biológica, pois se levam em conta os sentimentos entre eles.

Hoje se chegou à conclusão de que a família é a célula mãe da sociedade. A esperança de um futuro mais justo e mais fraterno, onde uns respeitem o direito dos outros, e todos possam exercer a cidadania com igualdade, está na família. Afetividade não é somente um sentimento de amor, que cada um guarda para si, ela tem que ser exercida em favor do outro, isto é, demonstrada.

Às vezes, as pessoas pensam que basta ter amor, que isso fica implícito apenas pelos vínculos familiares, que tornam esse amor incontestável e visível. Mas se enganam. O afeto entre os membros da família tem que ser vivido no dia a dia, pela paciência, carinho, o toque, beijo, diálogo, o respeito pela opinião do outro. Os filhos têm que ser orientados para o bem, com suavidade, fraternidade, mas com firmeza e limites. Filhos que sentem que são amados são muito mais fáceis de conduzir.

O mundo está caminhando por facetas perigosas. As drogas e o álcool estão cada vez mais se infiltrando nas famílias, principalmente naquelas que se encontram vulneráveis. Nisso está a maior responsabilidade dos pais: é com afeto que ganhamos a confiança dos filhos, e não com autoritarismo e gritos; essa estratégia funcionava no século passado, quando a cultura era outra; hoje, é extremamente antiproducente.

A esperança de um futuro melhor está nas mãos que balançam o berço. É no lar bem formado que nossos filhos adquirem o equilíbrio e uma personalidade sadia, é no lar que se aprende a ser ético e gentil, elementos fundamentais para uma sociedade mais justa e mais humana, é no lar que aprendemos que nosso direito termina quando se esbarra no direito do outro, é no lar que aprendemos a conhecer este Deus maravilhoso que nos guia e que nos rege ao qual devemos temer, amar e respeitar pois Ele é o verdadeiro caminho, verdade e vida.


Pastoral Familiar da
Paróquia Imaculada Conceição de Guararapes
Diocese de Araçatuba/SP

FAMÍLIA: prioridade Diocesana

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